A dança na magia: ritual, celebração e expressão

November 12, 2019

       A Dança nasce da simples ato de se movimentar, tudo está em algum ritmo, e a dança nos ensina que cada ser possui seu ritmo individual, sincronizar vários seres em um mesmo ritmo é outra atividade que nos ensina a trabalhar em grupo e exercitarmos nossos laços uns com os outros. O ser humano procurava modos de se relacionar com a natureza e essa relação era ainda mais estreita com os animais, Animismo como uma das primeiras formas de espiritualidade da humanidade deixou marcado em nossa história a importância dessa relação com os animais, o ser humano começa a estudar os movimentos dos animais e como forma de se aproximar deles começa a reproduzir os movimentos que consegue adequar as suas possibilidades corporais, é possível que acreditassem que isso poderia atrair para eles as qualidades daquele animal e uma boa relação com os “espíritos animais”, crença que tem relação com a dança dentro de outra espiritualidade também antiga: o xamanismo. Segundo dados antropológicos o animismo antecedeu o xamanismo e a crença nas potencialidades dos animais e que construir uma boa relação com eles era algo de fato bom (uma vez que o ser humano temia várias outras espécies por possuírem mais força física) sofreu uma mutação transformando-se numa crença em “espíritos animais”, os praticantes de xamanismo  não praticavam uma dança tão primitiva quanto os animistas, pois a musica havia sido descoberta e percebida de varias maneiras, os xamãs se dedicaram ao exercício de sincronia entre o movimento e a música, acreditavam que essa era uma das melhores formas de se comunicar com os espíritos e com a natureza. A dança não é apenas movimentos rítmicos ao som de uma música, ela teve sua origem apenas como movimento e um movimento não só humano, toda natureza dança isso pode ser percebido não só na fluidez de alguns elementos, mas na rotação dos planetas, no movimento espiralado da sincronia entre as orbitas planetárias, desde coisas grandiosas às batidas de nossos corações e movimento das nossas hemácias e células. A dança simplesmente existe, o movimento simplesmente flui e ganha um ritmo.

 

 

A Dança como Expressão

 

       A expressão é o que torna a dança uma forma de comunicação e por isso atualmente os cursos de graduação em dança é rotulada não somente como forma de arte, mas também como uma técnica de comunicação. A melhor palavra para definir essa técnica comunicativa é expressão. Interessante as universidades incluírem a dança nos ramos da comunicação uma vez que os seres humanos primitivos acreditavam que podiam se comunicar com espíritos por meio da dança, contudo, a dança com certeza pode ser um instrumento de transmissão de uma mensagem, conto, relato, história e até de um sentimento, uma poesia sem palavras, ou até mesmo ser uma arte abstrata que cada pessoa pode entender ao seu modo. O ser humano primitivo imitava os movimentos dos animais, esse é um claro caso de expressão, basicamente estou sendo aquele animal que imito, estou passando para os que me assistem a imagem daquele animal, estou expressando uma figura.

 

A Dança como Ritual

 

       A dança primitiva se baseia no instinto. No período Paleolítico a dança costumava ser utilizada para entrar em estado de transe, e os movimentos ritualísticos eram executados com a inclusão de animais, roupas especiais e mascaras (que posteriormente foram substituídas pela maquiagem nos costumes de alguns povos). No período Neolítico da pré-história o ser humano passa de predador a produtor, esse fator influenciou em diversas áreas e inclusive na dança que passou de movimentos ritualísticos para movimentos cerimoniais (isso não extingue o caráter ritual dessa dança), características que ficam bastante evidentes ao nos reportarmos a Grécia Arcaica, cuja sua dança, segundo as narrativas lendárias, nasceu em Creta.

 

Danças Sagradas

 

       Sob o conceito helênico de que a dança foi inventada pelos Deuses, e não somente isso, como também a crença no fato de que os Deuses dançaram, e que isso faz de nós seres que podem dançar com e para os Deuses. Alguns exemplos dessas danças sagradas são: a dança dos saltirines (sacerdotes romanos de Marte) que saltavam para que as plantas crescessem em março; a dança grega Pírrica executada nos festivais a Atena, onde os dançarinos armados representavam suas tribos; esses relatos vão de encontro com o que disse o poeta grego. Consoante Homero:

 

       “A dança foi ensinada aos mortais pelos deuses para que aqueles os honrassem e os alegrassem; foi em honra ao Deus Dionísio que apareceram os primeiros grupos de dança e foram compostos os primeiros Ditirambos”.

 

       Não havia celebração religiosa (ritualística e/ou cerimonial) sem dança, pois esta era o melhor meio de honrar, alegrar e agradar uma divindade. Também se invocavam os deuses por meio da dança em diversas situações como nascimentos, casamentos, mortes, guerras, colheitas, entre outras.

 

• Etruscos

 

As referências que temos sobre as danças etruscas são embasadas em representações, pois não foram encontrados textos escritos sobre a mesma até hoje. Percebemos que a dança desse povo recebeu uma forte influência dos gregos desde o século VII A.E.C, pelas representações nas quais aparecem indícios de danças guerreiras, dionisíacas, de banquete, entre outras. Os movimentos eram realizados em tempo acelerado, ritmada e acompanhada por aulos e liras.

 

• A Dança dos Orixás

 

O círculo simboliza os Orixás que estão relacionados aos astros. Os passos e gestos representam a característica do Orixá. Exemplos: A dança de Nanã representa o embalo de uma criança; Oxalá os movimentos do pombo; Oxóssi figura da caça; Inhasã representa em sua dança os movimentos de despachar Egum, dominá-los, espalhar o vento; entre outros. É uma dança representativa de expressão sagrada introduzida na ritualística.

 

• Egito

 

A dança foi desde muito cedo a maneira de celebrar os deuses do Antigo Egito, ela também divertia o povo e através desse ritual se desenvolveram os elementos básicos para a arte teatral atual. Vinte séculos A.E.C se realizavam no Egito as chamadas danças astroteologias em homenagem ao deus Osíris. 500 anos A.E.C as danças homenageavam também a deusa Hathor, da dança e música, e o deus Bés, que é considerado o inventor da dança (ambos deuses da fertilidade). Para o deus Amon acontecia a procissão da “Barca Sagrada” na qual bailarinos faziam acrobacias. Nos funerais havia os mouou que vinham ao encontro do enterro dançando em duplas, acreditava-se que os movimentos da dança assegurariam a ascensão a uma nova vida para o espírito que partira.

 

 

• Índia