O que você pode e o que você não pode controlar

July 12, 2018

 

       Encontrar a felicidade e a tranquilidade não é algo fácil. Podemos ficar felizes com uma notícia boa e, logo, tristes com uma notícia ruim. O mundo e os eventos que nele ocorrem estão em constante transformação, por isso, nada sendo estático e parado, vemos esta oscilação de fenômenos. O que acontece fora tem impacto de uma forma em uma pessoa e tem impacto de outra forma em outra pessoa. O efeito do que ocorre advém da perspectiva e do desejo interno.

 

      Como a maior parte do que acontece fora de nós, no mundo, não depende da nossa vontade e do nosso desejo, podemos sofrer por todo tipo de situação cotidiana, como atrasos no trânsito, uma ligação indesejada, contas a pagar, filas no banco… e é curioso olhar diferente: não parece que talvez estejamos tentando adequar o mundo ao nosso desejo? Como uma criança que quer tanto uma coisa e chora e se contorce em lágrimas se não obtém o que quer?

 

      Neste texto, vou falar sobre um critério simples, que pode nos ajudar a encontrar maior felicidade. É uma técnica que vem da filosofia de Epiteto, um dos maiores filósofos de todos os tempos.

 

 

Felicidade: Entender o que podemos e o que não podemos mudar

 

      Quando eu comecei a escrever para o site, eu tinha como intenção compartilhar o que tinha aprendido na faculdade. Escrever é sempre um ato solitário e foi uma experiência única para mim passar a receber comentários a respeito dos textos. Principalmente as críticas. No começo eu estranhei muito. Afinal, porque alguém haveria de entrar em um site e expor todo o seu ódio? Digo aqui de críticas negativas e sem sentido, aqueles pensamentos maldosos que às vezes temos cujo objetivo é apenas ferir o outro. Para que se dar ao trabalho?

 

      Confesso que nas primeiras vezes não foi muito agradável abrir a páginas interna do site relativa aos comentários e ver comentários destrutivos. Fiquei incomodado. Depois, passado um tempo, pude refletir com calma e vi que eu teria que utilizar neste caso a perspectiva do Epiteto, em sua ética, quando ele separa claramente o que podemos e o que não podemos controlar.

 

      No exemplo dos textos e das críticas, o que está sob o meu controle é o que eu escrevo. Se eu reviso o texto, se escrevo bem, pouco ou muito, se falo deste ou daquele assunto, etc. Mas não está sob o meu controle a opinião alheia. Não posso controlar se alguém acha maravilhoso ou se acha péssimo. Entenderam a diferença?

 

      Se eu parar de escrever porque alguém não achou legal estarei perdendo uma oportunidade de fazer o que eu desejo, que é compartilhar o que aprendi. Mas, se, pelo contrário, eu observo claramente que o comportamento das outras pessoas não está sob o meu controle, se eles fizerem A ou B, saberei que a responsabilidade não é minha. É deles. Cada um, portanto, responde pelos próprios atos.

 

      Eu responderei pelos meus, pelo que penso e sinto, pelo que faço ou deixo de fazer. Tudo isto está na minha direção, deve ser comando e guiado por mim mesmo, enquanto que as atitudes dos outros, não. O que acontece no mundo, se chove ou faz sol, se a economia está em crescimento ou recessão… tudo isto é externo, tudo isto é alheio e não deve intervir na minha própria felicidade.

 

 

 

O que Epiteto nos diz?

 

      Epiteto nasceu escravo há muitos séculos atrás. Cedo ele compreendeu que o fato de ser e, depois, ter sido escravo não estava sob o seu controle. Se ganhamos muito ou pouco, se herdamos uma fortuna ou crescemos com dificuldades materiais, são eventos externos. Não podemos considerar que somos responsáveis por eles ou que temos culpa por assim serem.

 

Devemos focar toda a nossa atenção no que podemos mudar!

 

      Por exemplo, se o namorado liga ou deixa de ligar, se marca e não aparece, se trata a garota mal, para a garota os comportamentos dele são os comportamentos dele. Quem é responsável é ele. Sofrer pelo comportamento dos outros é sempre um sofrimento inútil…

 

 

      Sobre Epiteto, então, tenho a seguinte indicação:

 

      O texto – A busca da felicidade (trecho de um livro sobre a ética de Epiteto)

 

 

Conclusão

 

      Como aplicar na prática esta filosofia de vida? É bem simples:

 

– O que está te causando sofrimento? Tente estabelecer uma causa por vez:

 

      Por exemplo: 1) O jeito do meu chefe; 2) Estar sem dinheiro; 3) Brigas no relacionamento amoroso….

 

– O que está te causando sofrimento depende de você ou depende de outra pessoa?

 

– Se depende imediatamente de você, você deve tratar de buscar a mudança e fazer diferente para obter resultados diferentes. Se não depende de você, deixe estar, deixe para lá. Afinal, não depende de você.

 

      Importante: em alguns casos, devemos tomar atitudes com relação ao comportamento das outras pessoas, claro. O que quero salientar no texto é o que depende e o que não depende de você. Em alguns casos, temos o dever de intervir, de conversar, de dialogar para que o outro talvez mude de opinião e comece também o seu processo de mudança. Mas o que não podemos fazer, em hipótese alguma, é colocar a nossa felicidade na mão das outras pessoas… achando que é o outro ou a outra que vai nos fazer feliz…

 

Fonte: Psicologia MSN