Aprenda à Plantar a Lua

May 15, 2019

       Existe uma profecia Lakota que diz que a terra precisa de sangue, e quando as mulheres se esqueceram desse rito sagrado que foi praticado por gerações, os homens passaram a verter o seu sangue, através de guerras e violência.


Segundo essa profecia, "no dia em que as mulheres voltarem a dar seu sangue à Terra, os homens não mais precisarão derramá-lo pela guerra"

 

 Como assim plantar a lua?

       A lua é nossa menstruação e plantar a lua é devolver o sangue para a terra.

 

       Nosso sangue é nossa água sagrada. Em tradições matriarcais antigas era costume a mulher ofertar o seu sangue à terra como forma de agradecimento. Um costume muito antigo, da época em que as mulheres eram endeusadas por serem capazes de gerar a vida. Os homens daquela época ainda não tinham consciência do papel deles na reprodução humana, e achavam que as mulheres eram deusas porque “do nada” elas apareciam grávidas.

 

       As mulheres eram comparadas à natureza, e se a natureza era a grande Deusa, as mulheres seriam então as representantes da Deusa.

 

       Nessa época o feminino era muito honrado, para se ter uma noção, quando uma pessoa morria era colocada em posição fetal, seu corpo era pintado de vermelho e ao seu redor eram colocados estatuetas de mulheres, junto a conchas (semelhantes aos buzios) que representavam as vulvas.

 

       O vermelho representava o sagrado, o sangue primordial: do sangue viemos, para o sangue voltaremos. Da terra viemos, para a terra voltaremos.

 

       Já no período neolítico, quando nossos ancestrais descobriram a agricultura, antes de plantar as mulheres se ancoravam na terra e deixavam seu sangue verter, era uma forma de abençoar a terra e garantir a fartura das colheitas.

 

       As mulheres se reuniam nas tendas vermelhas para honrar este momento sagrado, ali as mais velhas passavam seus conhecimentos para as mais novas e juntas honravam seu sangue sentadas diretamente na terra, deixando-o escorrer ali mesmo.

 

       Plantar o seu sangue é uma forma de agradecimento à Mãe Terra, assim fertilizamos o solo novamente e nos abrimos para aprender cada vez mais com a Grande Mãe. Muitos desequilíbrios físicos podem ser evitados e sanados através desta prática: ovário policístico, miomas, ciclo menstrual irregular, cólicas e desconfortos da menstruação, infertilidade, tensão pré-menstrual, etc.

 

       Ao devolvermos nosso sangue para a Terra nos reconectamos com nossas raízes, com o sagrado em nós, honramos nossas ancestrais e reconhecemos que nosso sangue é vida. Cada mulher pode desenvolver seu ritual individual, fazê-lo com respeito e muita reverência a Mãe Terra. Este é um exercício muito simples porém extremamente poderoso, curador e profundo à todas as mulheres.

 

       A ideia é que você plante a sua lua em forma de um pequeno ritual, uma ou mais vezes durante seu ciclo, como pede a sua intuição e de acordo com sua natural disponibilidade para fazê-lo. Crie um ritual pessoal, relembrando que não existem regras sobre como fazê-lo; o importante aqui é desenvolver a sua própria forma de se conectar e rezar- a clareza e firmeza de intenção é o que define potencialmente este momento com você mesma e com a Mãe Terra.

 

       Se para você não está claro, a nível consciente, quais os aspectos de si que você precisa deixar ir com o seu sangue para adentrar no novo ciclo, deixe que seu Eu Superior te guie neste processo, se colocando em humildade e entrega e mentalizando que Gaia transmute tudo aquilo que você não mais necessite, por ti, por seu crescimento, por sua evolução e por todas as suas relações. Relembre-se que, como qualquer oferenda, este é especialmente um ato de agradecer e retribuir por todas as bênçãos recebidas no ciclo que passou.


       Para quem sente o chamado de oferecer o seu sangue para a Terra, deve escolher uma forma de recolher o seu sangue. Isso pode ser feito através coletores menstruais ou através de bioabsorventes.

 

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       O ideal é ter um jarro consagrado no seu altar pessoal da Deusa para a colheita do sangue, caso não tenha designe uma vasilha somente para este fim. Para quem usa absorventes ecológicos, basta deixá-los de molho em água sem nenhum outro produto algumas horas para que solte o sangue e essa água será distribuída nas plantas.

 

       Em ambos os casos, você pode Plantar sua Lua em um jardim ou em um simples vasinho de planta em seu apartamento. Você pode também escolher alguma planta que tenha um significado especial para você; como a roseira, sálvia, camomila, tanchagem ou artemísia; que são plantas de forte representação do feminino. Saiba que o sangue é o biofertilizante mais poderoso que existe!

 

       O ideal é que seja uma planta somente usada por você ou uma planta no ambiente da sua casa. Você pode variar a planta de mês para mês, mas pessoalmente sinto que colando sempre na mesma planta um elo forte é criado entre a mulher a planta recebedora.

 

       A mistura do sangue com a água é importante, porque este é o único elemento que protege a planta. O sangue por si só já traz uma força e uma energia de vida e morte intensa, podendo sufocar a planta dependendo da sensibilidade dela.

 

       É interessante experimentar também sangrar direto na Terra; tomando consciência de que o seu fluxo menstrual não é contínuo, você pode desenvolver a percepção de quando ele vai descer, se ancorando e permitindo que ele escorra livremente enquanto sentada direto sobre a Terra(você pode fazer isso em vaso grande, caso não tenhas um jardim), deixando que seu útero se abra em uma conexão direta com a sabedoria ancestral da Mãe Terra.

 

       As mulheres que estão na menopausa e desejam fazer uma oferenda à Terra, podem ofertar um pouco de vinho e as meninas que ainda não tiveram sua primeira menstruação podem ofertar água de rosas brancas. Nestes casos o ritual é feito na Lua Nova.

 

       É importante que esse ritual seja feito com todo o respeito e silêncio, procure observar seu ritmo interno e fortalecer essa conexão com a Mãe Terra. Procure ouvir sua voz interna e deixe que ela te mostre o que dentro de você deve morrer neste ciclo para algo novo renascer.

 

       Fazer isso hoje não é só resgatar uma ancestralidade, mas também é um ato de resistência.


       Em um mundo que nos obriga a estar em constante movimento, produzindo, criando, plantar a lua é o momento de dizer: agora vou me dedicar a mim, a olhar pra mim, estou me vendo sagrada, eu respeito meus ciclos, eu respeito o meu sagrado.


       Plantar a lua não é somente verter seu sangue na terra, mas também se conectar consigo mesma, olhar pra dentro de si e se perceber dentro de um todo.